
Tinha me contentado um dia, em ser um poço de misericórdia...Mas eu não sabia que com este poço, viria, uma alma a quem deveria dar gratidão. Aceitei ser a gratidão, mas não sabia que também poderia recebe-lá, olhei nos olhos profundos da imensidão, e a profundidade tirou dos meus pés o peso que sentia, me soltou e voei. Os passos que eu ensaiava com a Lua, me ensinaram a resolver meu silêncio de não poder receber a gratidão. Eu estava feliz, por apenas saber perdoar, e não ter a noção, que eu também erraria, e posteriormente, poderia receber também o perdão. Um pássaro, com lindas asas, e formoso coração, me subiu aos céus e me mostrou tudo o que eu era capaz. Mostrou-me o som dos cristais, mas não esqueceu de mencionar, o ruído de quando quebram. Mostrou-me o formato das estrelas, e não deixou de mencionar, que se não cuidarmos dos nossos olhos, elas perdem seu belo formato. Mostrou-me um coração, e sentia fome, ofereci-lhe um pedaço de meu pão, uma taça de vinho, então ele sentiu-se completo. Adormeceu, e sua forma doce de aspirar e expirar, me traziam a vida, como se ela entrasse e saísse osciladamente dos pulmões, sua graça encantava todas minhas paredes, e os quadros pintados por mim próprios, criavam vida. Seu corpo, jazia formas angelicais, seu bico, tão suave quanto seus olhos, desciam até meus tendões de Aquiles, e me deixavam fracos, e me diziam que eu poderia contemplar aquela cena, eternamente. Então, imortal saí, ainda em meu poço, comecei o dia, sem oferecer perdão, apenas cometendo erros. Como posso não perdoar, como posso não ceder um pouco de meus sentimentos, como posso me esquecer daquela bela face, das flores, do Sol apontando apenas nós, não, mas ainda não me esqueci, apenas dois gêneros, não metamórficos, condenados a viver sob perjúrio ao santo altar, com uma paixão ascedente. No ponto alto, da simetria imperfeita do amor, e de minha contemplação relevante, a luz do Sol, tocou os olhos de meu pássaro, ele despertou, e me trouxe novamente ao chão, seu cheiro floral, se igualava inesperadamente com meu leve toque de paixão, seus tons amarelos, com meus tons rosáceos, formavam um acorde perfeito, uma tríade impecável, do sucesso da mais pura doação....sua voz longínqua estava....quando o poço se fechou....esperarei o tempo que for...se somente sob luar cheio, poderei ter a ti novamente, suas asas bateram em busca da liberdade, e eu esperando fiquei, mas agora já podia reter e doar piedade, além disso, ofereço o cheiro me minhas pétalas doces, que agradam ao faro, daqueles que acham que ser uma flor, é algo, injusto.....

